Onde comer em beber em Ypres: Sint Arnoldus

Dica de pub com comidinhas e petiscos para quem visita a cidade de Ypres na Bélgica.

Já tem vários posts com dicas de Ypres, mas ficou faltando dicas de onde comer nesta que é uma das cidades mais visitadas da Bélgica. Não é bem um restaurante, mas uma opção que combina alimentação com algo que é bem característico do país. É claro que estou falando de cerveja.

O Sint Arnoldus é um “beer café” (no sentido de que é uma cafeteria, mas tem cerveja também) conta com 25 torneiras que servem cervejas da região, além de menu com garrafas e outras bebidas. Também servem bebidas quentes e comidas típicas (como waffle) além de petiscos.

Isso pode parecer algo bem comum se compararmos com bares brasileiros, mas reforço algo que já comentei aqui: as autorizações para ter cozinha com fogo e vender bebida alcóolica são diferentes e encontrar “comida quente” em um bar de cerveja é raro. Não que eles sirvam pratos mega elaborados, mas uma sopa ou torrada em um dia frio fazem toda diferença.

O Sint Arnoldus (santo padroeiro dos cervejeiros) tem uma decoração bem interessante e aconchegante, e vale a visita mesmo que você não beba cerveja e queira apenas tomar um café. Abaixo seguem as coordenadas do local para quem tiver interesse em fazer uma pausa em um local agradável quando estiver em Ypres.

Sint Arnoldus, beer café em Ypres

Site oficial: https://www.starnoldus.be/

Endereço: Menenstraat, 19 – Ypres – 8900 – Bélgica

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Para conferir os outros posts sobre a principal cidade para visitar os monumentos da Primeira Guerra Mundial, acesse o link.




Onde se hospedar em Ypres: Hotel New Regina

Ypres é uma das cidade mais turísticas da Bélgica e aqui segue a dica de hotel onde se hospedar quando visita a cidade.

Vista do nosso quarto no Hotel New Regina.

Aproveitando esse longo período sem viagens para colocar em dia algumas dicas gerais e hoje venho com a recomendação de um bom hotel para ficar em Ypres. A cidade que é uma das mais visitadas da Bélgica por conta dos monumentos históricos da Primeira Guerra Mundial, e uma serie de posts sobre o tema pode ser conferido neste link aqui.

Das suítes na frente do hotel, é possível desfrutar de uma vista fantástica da Grote Markt de Ypres, com com o impressionante Cloth Hall e belos edifícios históricos. Detalhe interessante da história do estabelecimento é que durante a Segunda Guerra Mundial foi usado como um esconderijo para os pilotos aliados que eram resgatados em solo belga.

Na última vez que visitamos a cidade nos hospedamos no Hotel New Regina, que foi totalmente renovado em 2018 e recomendo muito. Além da localização central (em frente ao Museu In Flanders Field) e acomodações em excelente estado, tem um café da manhã ótimo. Na verdade, um English Breakfast completo e delicioso, que serve praticamente como um almoço.

O hotel também conta com uma confeitaria/salão de chás no térreo, aberto para o público em geral. O local é conhecido por suas sobremesas doces clássicas com produtos frescos de boa qualidade. Entre eles a sobremesa Dame Blanche, crepes e waffles belgas. Para reservas, segue o link do hotel no Booking. Infos práticas abaixo.

Hotel New Regina – Ypres

Endereço: Grote Markt, 45 – 8900 – Ieper (ou Ypres) – Bélgica

Site oficial: https://www.newregina.be/




Ypres e Flanders Fields

Seguindo com os posts sobre a Bélgica e a Primeira Guerra Mundial, hoje é de dia de guia com as principais atrações de Ypres ligadas às aos confrontos da Grande Guerra.

Cloth Hall em Ypres - Receita de Viagem

Cloth Hall em Ypres.

Este mês iniciei uma série de posts sobre uma das mais importantes regiões turísticas da Bélgica, ligadas à Primeira Guerra Mundial – a região de West-Vlanderen, que incluiu diversas cidades como Ypres e os Flanders Fields. No primeiro post abordei de forma resumida as principais batalhas e acontecimentos ocorridos na região. Se perdeu, aqui está o post introdutório.

No post de hoje, segundo desta pequena série, entro em detalhes sobre algumas das principais atraçõs turísticas da região, que atrai milhares de visitantes todos os anos.

Um pouco sobre Ypres

A cidade foi inteiramente destruída durante a Primeira Guerra Mundial, sendo palco de sucessivas batalhas. Assim que a guerra terminou em novembro de 1918, as casas, monumentos e prédios históricos foram gradualmente reconstruídos – alguns exatamente como eram antes da guerra. É o caso do Cloth Hall e da Catedral dedicada a São Martinho, ambas localizadas no centro histórico da cidade e ao lado da Praça do Mercado.

Grote Markt de Ypres - Receita de Viagem

Grote Markt de Ypres, vista do alto do campanário do Cloth Hall.

Ypres, que na Idade Média contou com mais de 200 mil habitantes por conta do grande número de industrias têxteis que lá funcionavam (a riqueza de Flanders na era medieval se deve à esta que foi a primeira indústria que existiu), hoje tem por volta de 38 mil habitantes. Mesmo assim, é uma das maiores cidades da região onde aconteceram as batalhas da Primeira Guerra Mundial e por isso indicada como base para quem quer visitar este local histórico. Além de ser uma referência importante para quem gosta de turismo de guerra.

O que visitar em Ypres

Muitos elementos da cidade lembram os quatro anos em que Ypres vivenciou a Primeira Guerra Mundial e que podem ser visitados com facilidade. Museus, cemitérios, monumentos e pontos históricos de confronto hoje são atrações turísticas.

O mais importante e mais visitado é o Menin Gate. É neste local que todas as noites, às 20h em ponto, acontece a cerimônia do Last Post, realizada por voluntários do Corpo de Bombeiros de Ypres. Outro ponto importante é o In Flanders Fields Museum, uma espécie de parada introdutória para quem quer aprender mais sobre a Guerra.

Existem dois cemitérios da Comunidade Britânica em Ypres: o pequeno Cemetery Ramparts lotado dentro da muralha medieval da cidade, onde britânicos, canadenses, australianos, neozelandeses e de outras nacionalidades do Império Britânico que lutaram aqui, estão enterrados. Além dele, é possível visitar o Ypres Reservoir Cemetery.

Vários monumentos ou placas de homenagem que fazem referência ao envolvimento de uma nacionalidade em particular podem ser encontrados. Uma delas é a cruz irlandesa no jardim da Catedral de Saint Martin e uma placa australiana no Menin Gate e um monumento indiano. Há um monumento belga e memorial para as vítimas civis da guerra perto do Cloth Hall.

As igrejas da cidade também são pontos pontos de visita recomendados, assim como a Praça do Mercado.

Abaixo, listo e descrevo as principais atrações da cidade de Ypres.

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In Flanders Fields Museum

In Flanders Fields Museum Ypres - Receita de Viagem

Entrada do In Flanders Fields Museum em Ypres.

Este é o primeiro ponto de visita para quem entrar em contato com a tragédia que foi a Grande Guerra. Lotado no local do antigo Cloth Hall, é o prédio mais imponente da Praça do Mercado de Ypres. A exposição fixa sobre a Primeira Guerra Mundial foi estruturada para que o visitante entre em contato profundo com as consequências do conflito. E realmente, você sai de lá bem abalado.

Logo na entrada, o visitante recebe uma pulseira com uma papoula, e esta pulseira dá acesso para que ele possa acompanhar a vida de pessoas comuns que viveram na Bélgica no período da guerra. A exposição, além de muitos recursos multimedia, conta com artefatos preservados da época.

In Flanders Fields Museum - Receita de Viagem

Pulseira para acessar as informações no In Flanders Fields Museum.

Dentro do In Flanders Fields Museum, existe um café para lanches e refeições. Além de loja, banheiro, wi-fi e acesso facilitado para quem tem dificuldades de locomoção. De lá também é possível acessar o campanário, para quem procura por uma boa vista da cidade.

Informações práticas

Endereço: Grote Markt, 34 – 8900 – Ieper – Belgie

Site: http://www.inflandersfields.be

Horário de abertura: 10h.

Ingresso: 9 euros. Crianças até 6 anos não pagam.

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Menin Gate

Menin Gate Memorial - Receita de Viagem

Menin Gate Memorial em Ypres.

O Menin Gate é um dos mais importantes memoriais da Bélgica, dedicado à dezenas de milhares de soldados britânicos e da Commonwealth que morreram durante a Primeira Guerra Mundial, em Flanders e que foram dados como desaparecidos. Construído em estilo clássico com projeto de Reginald Blomfield, fica no local do antigo Portão de Antuérpia, ligado na muralha medieval da cidade.

Inaugurado em 1927, o Menin Gate exibe em suas paredes o nome 54.896 soldados desaparecidos na Ypres Salient. Todos os dias, às 20h em ponto, é realizado no local a cerimônia do Last Post. Desde 1928, a cidade presta homenagens para aqueles que perderam a vida pela liberdade da Bélgica. A cerimônia ocorre às 20h e a banda do Corpo de Bombeiros é quem toca em nome dos combatentes.

Menin Gate - Receita de Viagem

Paredes do Menin Gate Memorial repletas de nomes de soldados que lutaram na WWI.

Informações práticas

Endereço: Menenstraat – 8900 – Ieper – België

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Praça do Mercado

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Cloth Hall na Grote Markt de Ypres.

Apesar de ter sido completamente destruída durante a Primeira Guerra Mundial, a Praça do Mercado de Ypres foi completamente restaurada e é considerada uma das mais bonitas da Bélgica. Para apreciar melhor a paisagem, aproveite para degustar uma cerveja belga ou fazer uma refeição agradável em um dos muitos restaurantes com mesas nas calçadas.

No período medieval, durante o sua fase econômica mais próspera, a praça de Ypres foi considerada um importante ponto de negociações da Bélgica e um dos mais importantes centros de comércio internacional de tecidos. Sua riqueza se reflete na construção do magnífico Cloth Hall. Outros destaques da Praça do Mercado são a Câmara Municipal, o Palácio de Justiça e do edifício Old Seignory.

Endereço: Grote Markt, 34 – 8900 – Ieper – België

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Cemitério Ramparts

Ramparts Cemetery - Receita de Viagem

Ramparts Cemetery em Ypres.

Cemitério Ramparts fica em uma parte da antiga muralha da cidade, e pode ser visitado a partir de caminhada começando pelo Menin Gate. As Muralhas de Ypres são as mais bem conservadas da Bélgica e existem há mais de 10 séculos, sendo que é cortada por canais e tem altas paredes de barro e pedras.

O antigos porões (casemates), na parte da muralha que dá para os fundos da Igreja de Saint Jacob’s estão abertos ao público todos os dias, exceto na segunda-feira. No centro de visitantes das casamatas você pode descobrir a história das muralhas, onde há um agradável café com cervejas regionais da abadia de St. Bernardus e Watou.

Café da Casamata em Ypres - Receita de Viagem

Café e restaurante que funciona nas casamatas da muralha de Ypres.

Cemitério Ramparts abriga mais de 188 vítimas identificadas da Primeira Guerra Mundial e fica dentro da Muralha, 1km ao sul da Praça do Mercado, próximo ao Portão de Lille. É uma das paisagens mais melancólicas e bonitas da cidade.

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Cemitério Ypres Reservoir

Ypres Reservoir Cemetery - Receita de Viagem

Cemitério Ypres Reservoir.

Este cemitério foi iniciado em plena Primeira Guerra Mundial em outubro de 1915 e usado por unidades de exércitos e ambulâncias de campo, que continuaram agindo até depois do Armistício. Nesta data ele já tinha 1.099 sepulturas. O cemitério foi posteriormente ampliado quando outros combatentes foram trazidos dos campos de batalha dos cemitérios menores.

Existem hoje 2.613 militares de unidades do exército da Commonwealth, que lutaram na Primeira Guerra Mundial enterrados ou homenageados no cemitério. Sendo que 1.034 dos enterrados não foram identificados. O cemitério é um projeto do arquiteto Sir Reginald Blomfield.

Endereço: Maarschalk Plumerlaan, 10 a 15 min. de caminha da Grote Markt de Ieper, Belgium.

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Catedral de Saint Martin

Saint Martins Ypres - Receita de Viagem

Entrada lateral da Saint Martin Cathedral de Ypres.

A catedral é uma antiga igreja Episcopal em estilo gótico, reconstruída após a Primeira Guerra Mundial. A torre tem 100m de altura e não é aberta ao público. O Lapidarium contém as antigas ruínas da reitoria de Saint Martin. A parte do mosteiro pode ser visitada e fica no lado norte da catedral. Está aberta ao público, exceto durante as missas, que acontecem no sábado às 16h30 e no domingo às 11h e 18h.

Catedral de Ypres vista de cima - Receita de Viagem

Catedral de Ypres vista do alto do campanário do Cloth Hall.

Você acessa a igreja com facilidade a partir do Cloth Hall.

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Flanders Fields

Poema In Flanders Fields - Receita de Viagem

Flanders Fields é o nome em inglês dos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial na área onde se localizam as províncias belgas de Flandres Ocidental e Flandres Oriental, bem como do departamento francês de Nord-Pas-de-Calais.

O nome Flanders Fields é associado como o local onde ocorreram as batalhas que destruíram Ypres e esta região da Europa. Entre uma batalha e outra, notavam-se nos campos de Flanders, revirados por explosões e tristes detritos de guerra, o nascimento de inúmeras e delicadas papoulas.

O nome tornou-se conhecido a partir da divulgação do poema In Flanders Fields, escrito pelo tenente-coronel canadense John McCrae, inspirado por seu serviço durante a segunda batalha de Ypres. Os campos foram deixados sem manutenção durante anos antes de serem transformados em um memorial.

Conheça o poema In Flanders Fields

In Flanders fields the poppies blow
Between the crosses, row on row,
That mark our place; and in the sky
The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.

We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
Loved and were loved, and now we lie
In Flanders fields.

Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
The torch; be yours to hold it high.
If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
In Flanders fields.

Desde então, a papoula é usada como símbolo para quem deseja homenagear mortos soldados mortos em conflitos e guerras.

— Ypres Salient

De outubro de 1914 a outubro 1918, o principal campo de batalha da Primeira Guerra Mundial era localizado a uma ou duas milhas do centro de Ypres, na Bélgica. As trincheiras percorriam uma curva de norte a sul em torno da cidade. Cinco batalhas sangrentas foram travadas no território conhecido como Ypres Salient.

Mais de 150 cemitérios e monumentos militares foram construídos em torno da cidade na década de 1920, sendo o Menin Gate o mais importante. Apesar da região ter voltado à vida normal após este grande conflito mundial, tudo isso foi feito para lembrar todos da futilidade de uma guerra que levou milhões de vidas de forma grotesca.

Três pontos de entrada ao longo do Ypres Salient estão abertos para visitação. Três trilhas para caminhada, um app e uma pista de ciclismo que liga os três pontos foram disponibilizados para quem quer visualizar os campos de batalha.

— Para visitar os Flanders Fields e Ypres Salient

Ypres, Bélgica - Receita de Viagem

Panorama da cidade com Ypres Salient ao fundo.

O site http://www.flandersfields.be/ elaborou um material bem detalhado para quem deseja visitar a região da Bélgica onde ocorreram as principais batalhas da WWI, os Flanders Fields.

Para quem deseja fazer o tour de carro, um app (disponível para Apple e Android) foi desenvolvido pela organização turística, indicando mais de 100 pontos de interesse, com rotas, textos, fotos e fragmentos de áudio. Ao todo são 6 rotas tuísticas diferentes, com roteiros elaborados em parceria com outras cidades da região. Todas as infos estão neste link.

Já para visitar os pontos norte, sul e oeste que indicam os campos e linhas de batalha, chamados de Ypres Salient, o site Flanders Fields elaborou material detalhado em pdf, para quem deseja percorrer o caminho através de trilhas e pistas de ciclismo. Os três pontos estão interligados e o material disponibilizado é rico em informação.

O que você poderá ver…

  • Ponto de entrada norte: passeio começa pela fazenda destruída pela guerra e reconstruída posteriormente. Chama-se Klein Zwaanhof e está localizada no meio das ruínas da Segunda Batalha de Ypres, ocorrida em 22 de abril de 1915, conhecido como o Ataque com gás. Neste ponto também estão localizados os cemitérios militares Colne ValleyCaesar’s Nose e uma recosntrução das trincheiras;
  • Ponto de entrada leste: neste ponto está localizado o Hooge Crater Museum. Antes da guerra, a região era repleta de belos parques e castelos que foram destruídos durante os confrontos. Além de monumentos, neste caminho está o cemitério militar Maple Copse. Aberto permanentemente;
  • Ponto de entrada sul: o ponto de entrada situa-se na província De Palingbeek. A exploração da região começa em um trajeto em plataformas recentemente instaladas, ao longo de várias crateras. Neste passeio é possível observar a guerra subterrânea que foi estruturada na região sul, onde muitas minas explodiram. Seguindo na caminhada, encontra-se o Hill 60, que proporciona vista panorâmica da cidade. O caminho termina na grande cratera Caterpillar.
  • Download de material e informações completas em inglês no site: http://www.flandersfields.be/

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Outros posts da série sobre a Bélgica e a Primeira Guerra Mundial:

Post introdutório

Diksmuide e a WWI na Bélgica




A Bélgica e a Primeira Guerra Mundial

Primeiro post para quem procura por um guia completo com história da Bélgica na Primeira Guerra Mundial, com dicas de cidades, museus e outros pontos históricos importantes que podem ser visitados.

Túmulo do soldado desconhecido Yeper - Receita de Viagem

Túmulo de soldado desconhecido da Primeira Guerra Mundial em Ypres.

Como já comentei anteriormente, a Bélgica é um prato cheio para quem gosta de turismo, não somente cervejeiro, mas também gastronômico, cultural e histórico. Que o digam os famosos Flanders Fields, palco das batalhas mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial. E que ficam logo ali, menos de 2h de carro de Bruxelas.

Nós visitamos a região no final de julho do ano passado, mas retornamos há poucos dias e o fascínio continua. Por isso resolvi iniciar uma série de posts para quem tem interesse em visitar uma importante região histórica da Bélgica, bem como uma das mais turísticas.

Serão 4 posts: este primeiro com um resumo bem modesto do que aconteceu em Flanders Fields durante a Grande Guerra; outro sobre Ypres (Ieper) Flanders Fields, atividades e pontos de visita relacionados com a Primeira Guerra; e o terceiro, sobre Diksmuide e pontos de interesse histórico nos arredores da cidade. 

A Bélgica e a Primeira Guerra Mundial

Há quem afirme que uma Guerra Mundial só começa quando a Alemanha invade a Bélgica. Para alguns isso pode parecer uma piada de mau gosto, mas o histórico de uma região por muitos disputada deixou não somente heranças culturais, mas também feridas que jamais cicatrizarão.

Soldados Alemães cruzam a Bélgica em agosto de 1914 - Receita de Viagem

Soldados Alemães cruzam a Bélgica em agosto de 1914.

Digo isso porque é visitando a região dos Campos de Flanders, e seu impressionante In Flanders Fields Museum em Ypres que hoje se pode ter uma noção do absurdo, do horror que foi a Primeira Guerra Mundial.

Um pouco de história da Grande Guerra

Entre os anos de 1914 e 1918, a região dos Campos de Flanders, noroeste da Bélgica, foi cenário para alguns dos mais importantes confrontos da Primeira Guerra Mundial. Mais de um milhão de soldados, vindos de mais de 50 países foram feridos, desaparecidos ou mortos em combate em Flanders. Algumas cidades foram inteiramente destruídas, principalmente Ypres e Passchendaele.

O exército alemão invadiu a Bélgica por Leuk (Liége) no dia 14 de agosto de 1914, exigindo que o Rei Albert I desse passagem livre para atravessar o país e atacar a França – o que foi recusado pelo rei dos belgas. As tropas alemãs seguiram avançando lentamente, enfrentando resistência do que eles achavam ser civis (e nada mais eram do que a Guarda Civil, apenas com uniformes incompletos). Como represália, civis foram executados pelo exército alemão em Dinant, Aarschot e Leuven.

Rei Albert I da Bélgica - Receita de Viagem

Albert I, rei dos belgas durante o período da Primeira Guerra Mundial.

A primeira grande batalha em Ypres começou em 19 de outubro de 1914 e terminou em 22 de novembro do mesmo ano. O exercito belga, sob o comando do Rei Albert I (que atuava na linha de frente de confronto), ordenou, entre outras estratégias, a inundação da planície do rio Yser, pela abertura deliberada das eclusas em Veurne-Ambacht, Nieuwpoort. Isso impediu o avanço das tropas alemãs por um certo período. O inverno severo foi o responsável por uma pausa nas hostilidades.

A segunda grande batalha de Ypres foi de 22 de abril à 25 de maio de 1915. Começou com um ataque surpresa do exército alemão, onde pela primeira vez foi usado gás cloro, que devastou as tropas aliadas matando milhares de soldados em questão de segundos. Muitos ficaram cegos, mas mesmo assim o exército alemão não conseguiu avançar. Por conta disso, reduziram a cidade de Ypres a escombros, através de bombardeios constantes. Nesta altura da Primeira Guerra Mundial, ambos os lados já faziam uso de gases venenosos como armas de destruição em massa.

Ypres em escombros.

Ypres em escombros após ofensiva alemã de 1915.

A terceira batalha de Ypres foi de 31 de julho à 10 de novembro de 1917. Começou com uma grande ofensiva Britânica, detonando 19 minas nas linhas alemãs na região de Messines, uma das cidades vizinhas a Ypres. Nesse período de chuvas intensas assolaram a região, mas não impediram a batalha de Passchendaele, que resultou em mais de 400 mil mortos, feridos e outras baixas do lado Britânico.

Soldados britânicos, após a Batalha de Passchendaele.

Soldados britânicos, após a Batalha de Passchendaele.

Em abril de 1918, o Exército Alemão realizou uma ofensiva que recuperou os territórios perdidos na Bélgica durante a terceira batalha de Ypres. Naquele momento, as reservas alemãs haviam sido esgotadas e os americanos estavam começando a chegar na frente ocidental em grande número. De 28 de setembro até o Armistício em 11 de novembro, uma série de ofensivas aliadas empurrou os alemães de volta para o rio Scheldt.

No sábado, 28 setembro de 1918, o exército belga atacou a fortaleza de Houthulst Forest (Batalha de Houthulst Forest). Quase todas as unidades belgas estavam envolvidas no ataque, que foi apoiado pelo Exército Britânico e um número de divisões francesas. Até o final do primeiro dia os belgas tinham conseguido capturar as linhas alemãs em uma frente que era de 18 quilômetros de largura e 6 quilômetros de profundidade.

O Armistício em 11 de Novembro de 1918

No início de novembro um armistício foi assinado num vagão de trem perto da cidade francesa de Compiègne. A Primeira Guerra Mundial, finalmente chegou ao fim, às 11 horas da manhã de 11 de novembro de 1918.

A todo, a Grande Guerra deixou aproximadamente 9 milhões de mortos, entre civis e militares, e mais de 30 milhões de feridos. Após a guerra, a maioria dos refugiados voltaram para casa, ruínas foram removidas e os campos de batalha foram limpos. As casas antigas e monumentos foram gradualmente reconstruídos nos Campos de Flandres, um por um. O Nieuwerck – um anexo ao Cloth Hall, em Yeper, agora utilizado como parte da câmara municipal – só foi concluído em 1967.

Continua no próximo post: Ypres e Flanders Fields