Restaurante Le Couvent de Bethléem, na Maison Leffe
Maison Leffe abriga excelente restaurante em Dinant, no sul da Bélgica.
Estava meio em dúvida sobre atualizar o post sobre a Maison Leffe e fazer um novo post sobre o restaurante que faz parte desse complexo. Optei por um novo post, pois creio ser mais interessante para quem procura apenas por um lugar onde comer em Dinant, cidade de conto de fadas localizada no sul da Bélgica.
Para que quiser saber mais sobre o Museu da Cerveja Leffe, pode conferir tudo neste post aqui. O complexo abriga além do restaurante Le Couvent de Bethléem, um spa e um hotel. Recentemente, tivemos a oportunidade de provar a comida do local e amamos!
La Merveilleuse
O nome do hotel La Merveilleusenão se refere ao edifício, mas ao local que é conhecido por seu enorme complexo de cavernas subterrâneas (que incluem uma caminhada de 6 km por 3 salas amplas, bem próximas do local). Só foi descoberto em 1904, durante a construção de uma linha ferroviária.
No final do século 19, as Irmãs Dominicanas construíram um convento neogótico na parte alta da cidade, próximo a estas cavernas. Operou por 100 anos como um convento muito rigoroso e fechado. Foi apelidado de “Convento de Belém” pelo povo.
Em 2008, a empresa Propolis transformou o edifício em um hotel multifuncional. O escritório de Ghent Atelier voor Stedelijk Architectuur cuidou do aspecto arquitetônico ao produzir e assinar o projeto. Todas as intervenções foram feitas com o maior respeito pela história e “pela alma do lugar”.
O restaurante Le Couvent de Bethléem
O restaurante da Maison Leffe ocupa o antigo jardim interno (claustro) do convento, agora coberto por um dossel. Tem um ambiente muito agradável sob belas oliveiras. Tem como proposta servir gastronomia contemporânea que respeita a culinária das “avós”, servindo pratos tradicionais belgas.
Nós optamos pelo prato do dia que era carbonade (o ensopado de carne cozida na cerveja tradicional belga), que vinha acompanhado de uma cerveja Leffe harmonizada. Estava delicioso! Marido provou um Filé Rossini maravilhoso!
Semana rendeu para nosso Conversas à Mesa! Hoje venho com pautas bem variadas, e espero os comentários!
Conversas à Mesa 7
Comida brasileira no Eat Brussels, Drink Bordeaux!
Já comentei neste post aqui sobre o Eat Brussels, Drink Bordeaux!, evento de gastronomia e vinhos que acontece todos os anos aqui em Bruxelas. Sempre vou para provar delícias de outros países, o pavilhão internacional é o meu preferido. E a grande novidade do evento que acontece este ano é que teremos um stand brasileiro!
Quem traz para a mesa dos belgas os sabores do Brasil é o chef Lui Veronese. Ele propõe um cardápio refinado e inventivo, com ingredientes que exibem produtos locais brasileiros, combinados com o know-how de refeições requintadas. Entre as opções, picanha com farofa de pequi, sorvete de cupuaçu e pirarucu com molho de tucupi.
Mais informações você confere aqui. O evento acontece entre os dias 5 e 8 de setembro, no Park Royal (em frente ao Palácio Real).
— — —
Mais uma receita fail
Sempre comento aqui, uma das minhas maiores frustrações com a internet é o fato de que as pessoas compartilham receitas erradas ou incompletas. Resultado? Você confia e se dá mal. A última: fui fazer sequilhos de frango, vi o vídeo, li a receita, comecei a seguir e deu errado. Questão de proporção. Revi o vídeo e descobri que na hora de fazer, a pessoa colocava muito menos polvilho do que indicava na receita!
Só não deu perda total porque adicionei bem mais manteiga por conta própria. Por isso, segue novamente meu apelo, desta vez para os colegas blogueiros e principalmente, youtubers: tenham mais atenção no conteúdo que compartilham!
No Instagram brinquei sobre o controle de qualidade, mas a verdade é que para chegar no ponto da massa foi bem difícil!
— — —
Provocação entre redes de fast food
Burger King chegou muito recentemente na Bélgica (depois de comprarem a rede de fast food local Quik), mas a própria alegria da rede não durou muito. Principal loja no Boulevard Anspach abriu há pouco mais de um mês e logo, seu maior concorrente tratou de provocar com a placa abaixo.
Achei divertido, mas fica a minha pergunta: dizer que os clientes serão tratados como reis significa que o atendimento vai mudar? Você não vai mais precisar fazer o pedido em máquinas e buscar seu próprio lanche? Fiquei curiosa.
Traduzindo: “servido por um rei ou servido como um rei?
— — —
Conservas de legumes
Preciso confessar que sou meio exagerada na hora de fazer compras e quando vejo, estou com a geladeira lotada sem saber quando vou preparar cada comida! Nestas últimas semanas consegui me controlar nas carnes, mas nos legumes não. Então, para não colocar nada fora, resolvi fazer algumas conservas de legumes – e a que mais amei é a deste tomatinho confit assado, que em breve vou compartilhar aqui!
— — —
Bacalhau à Vicentina
Outra receita que testei esta semana, desta vez com muito sucesso, é a de Bacalhau à Vicentina! Sem erro, pois veio do livro de receitas tradicionais do Vêneto, de uma coleção que tenho e já falei neste post aqui. Como é uma receita confirmada, postarei ainda esta semana (já que este foi o tema do episódio de ontem do MasterChef).
— — —
Brûlot Charentais
Sexta-feira foi para jantarmos na casa de amigos, degustar cervejas brasileiras e polonesas, com várias surpresinhas. Nossos amigos estavam eufóricos para nos mostrar novidades, e entre elas, conhecemos o Brûlot Charentais.
Mas o que é isso afinal? Tradicional da região do Cognac, é o café servido de uma forma muito diferente! O café é colocado frio em uma taça de porcelana cujo pratinho, tem bordas altas. Coloca-se uma porção de cognac de 61% de álcool e um cubinho de açúcar, e coloca-se fogo. Esse fogo é que vai aquecer o café ao mesmo tempo que em carameliza o açúcar (e aquece o ambiente).
Quando o álcool do cognac parar de queimar, você adoça com duas colherinhas do caramelado que se formou no fundo do pratinho, e “amarga” o fundo do pratinho com duas colherinhas de café. Por fim, você bebe o cognac que ficou no pratinho também! Amei essa nova forma de tomar café, já quero um conjuntinho desses!
— — —
Volta a Dinant
Voltamos à Dinant e arredores para tentar visitar o Castelo Walzin. Apesar de tentarmos por mais de um lado, o castelo não é aberto para visitação e, aparentemente só é possível chegar perto dele quando se faz rafting. Sei que algumas agências fazem isso e você pode contratar em Dinant, mas como tenho dicas novas da cidade, vou me informar direitinho para quem tem interesse.
— — —
Conhecendo a Maison da Cerveja Leffe
Conheça a Maison Leffe, casa onde é possível conhecer a história de uma das mais antigas cervejarias da Bélgica em Dinant.
Em nossa visita a Dinant em julho passado (veja mais neste post aqui) aproveitamos para conhecer a Maison Leffe. A cerveja Leffe é uma das mais tradicionais da Bélgica, e conta com este recém inaugurado museu interativo, lotado no mesmo prédio de um hotel e restaurante.
Há quem afirme que não vale a pena a visita, mas recomendo para quem tem tempo de visitar também a cidade – umas duas horas são suficientes. Ir até Dinant, apenas para visitar a Maison, pode ser um pouco frustrante (e você ainda deixa de passear por uma cidade de contos de fadas!
Por isso indico que antes de reservar hotel, comprar passagens e programar tudo, entre em contato e confirme horários e dias de funcionamento. Além de visitar a exposição interativa, há uma espécie de bar onde é possível degustar cervejas e um belo restaurante, com pratos bem elaborados e harmonizados com a cerveja da casa. Não provamos as comidas, mas sei que é possível.
Ao contrário do que se imagina, a cerveja Leffe não é feita no local onde fica seu museu e sua fábrica não pode ser visitada. No prédio lindo, duas salas amplas que antes abrigavam uma capela de lindos vitrais, foram muito bem estruturados para receber vídeos que contam a história da cerveja tradicional de Dinant. Cada cerveja fabricada pela Leffe é descrita, com as devidas indicações de harmonização.
Foi somente neste momento, depois de visitar os principais pontos da cidade, que percebemos como a história da cerveja Leffe está ligada a cidade de Dinant. Se você gostou da cidade, vale tentar encerrar o passeio com esta visita. Depois da exposição, os visitantes escolhem uma das cervejas produzidas pela marca para degustar no bar.
Dica só para os amigos
A Abadia de Notre-Dame de Leffe onde a cerveja era fabricada é aberta para visitas. Não visitamos internamente mas fica em uma região muito bonita da cidade, dá para chegar percorrendo a margem do rio Meuse, um caminho tão agradável que recomendo a visita. No local não é mais fabricado cerveja, mas os monges dessa abadia ainda coordenam o processo de produção de suas cervejas, para que seja mantida a sua tradição.
Preço: 7 euros por pessoa, com direito a visita + 1 degustação + brinde (um copo da Leffeou uma cerveja).
Sobre a Cervejaria Leffe: a abadia de Notre-Dame de Leffe, em Dinant na Bélgica foi fundada em 1152 por uma ordem religiosa conhecida pela hospitalidade. Em 1240 os monges construíram a cervejaria, para produção de alimentos saudáveis e bebidas revigorantes. A cerveja original produzida na Leffe foi usada para combater a peste que assolava a região naquela época.
Abadia e cervejaria passaram por muitos altos e baixos em seus vários séculos de existência. Seu auge foi em 1740, quando um mestre cervejeiro de fora do mosteiro produziu uma cerveja que foi tão apreciada, que os fiéis deixaram de ir às celebrações religiosas de domingo para ficar em casa bebendo.
Durante a Revolução Francesa, a abadia e a cervejaria foram fechadas e as atividades foram retonamdas plenamente apenas em 1929. Na década de 50, as receitas de 1240 foram resgatadas e são mantidas durante a fabricação, mesmo após a aquisição da cervejaria pela AB-InBev.
Dinant, mais uma bela cidade da Bélgica
Quase como em um conto de fadas, Dinant é uma cidade da Bélgica construída na beira do rio Meuse, cuja igreja e cidadela fazem moldura ao penhasco rochoso.
A dica “vocês precisam conhecer Dinant” que recebemos de amigos foi quase como uma ordem: em julho aproveitamos para conhecer mais (entre tantas!) esta linda cidade da Bélgica. As fotos que vimos anteriormente não mentem: apesar de pequena, o visual da cidade que se formou na beira do Rio Meuse, com destaque para a Eglise Collégiale de Notre Dame e a Citadelle de Dinant (ambas apoiadas no penhasco), impressiona.
Por isso segue a recomendação de visita à cidade da província de Namur, com dicas de o que fazer, um pouco da história da cidade, como chegar, onde comer. Apreciem sem moderação!
O que fazer em Dinant/Bélgica
Visitar a Igreja de Notre Dame
A igreja que é o principal ponto de referência da cidade tinha construção românica, datada do século XII. Em 1227 foi severamente danificada pelas pedras da encosta da montanha onde fica e recebeu contornos de arquitetura gótica. Foi por diversas vezes, através dos séculos, após cada ataque sofrido pela cidade, saqueada, destruída, reconstruída e restaurada.
O que se pode ver hoje, ao visitar a Eglise Collégiale de Notre Damesão os elementos góticos na parte interna, restaurados no século XIX, quando voltou a ter o aspecto do século XIII; e a cúpula em forma de cebola, com revestimento escuro foi construído no século XX, depois da igreja ter sido incendiada durante a Primeira Guerra mundial. Destaque para o lindo vitral, que é considerado um dos maiores da Europa.
Serviço
Eglise Collégiale de Notre Dame
Place Reine Astrid 5500 Dinant Tel : 082/22 62 84 – 082/22 22 07 Site oficial: www.doyennededinant.com
Horário: Todo o ano, das 9h às 18h
Missas: sábado, às 18h e domingo às 11h e 18h
— — —
Visitar a cidadela
A visita a cidadela começa ao lado da igreja. Depois de comprar o ingresso para acesso, pode subir com bondinho ou escadaria.
Principal museu da cidade, além de circular pela bela construção é possível fazer um passeio guiado (sem custo extra). Nele é possível ver alguns elementos de época, como a única guilhotina preservada da Bélgica, sobre como funcionava a fortaleza. Por fim, algumas salas com simulação de trincheiras da Primeira Guerra Mundial, além de uma amostra do que seria um abrigo desmoronado após ataque, onde perdemos a noção de verticalidade.
Esta visita merece um post especial para quem é fã da cultura cervejeira belga, que será publicado na quinta-feira, o dia em que falamos sobre cerveja aqui no blog.
— — —
Rocher Bayard
Localizada entre Dinant e Anseremme, a Bayard Rock é uma espetacular formação rochosa com cerca de 40 metros de altura. Reza a lenda que ela foi feita pelo casco de Bayard, um cavalo mágico gigante que carrega os 4 sons de Aymon (lenda está presente em um conto épico antigo).
Na realidade, porém, havia um pequeno buraco entre essas rochas que foi aberto pelos soldados de Luís XIV quando tentavam invadir Dinant. Como podem perceber, uma estrada normal passa pela fenda, mas tem um pequeno estacionamento para quem quer apreciar a paisagem.
— — —
Circular pela cidade
A cidade é pequena – tem pouco mais de 14 mil habitantes – e se prolonga nas margens do rio. É bem agradável circular pelas ruas estreitas e ver casas bonitas e construções antigas. É um dos lugares mais fotogênicos que já visitei. Quando cansar, sente em um dos bares da beira do rio e aprecie a paisagem saboreando uma cerveja Caracole, que é fabricada na cidade.
— — —
Outras atrações de Dinant
Com tempo curto e já um tanto cansados, deixamos de visitar algumas outras atrações da cidade, mas que listo com link informativo para quem tiver interesse.
Chateau de Freyr
Este castelo pode ser visto da cidadela.
Endereço: Route de Givet, 12 | Hastiere, Dinant 5540,Bélgica
Esta gruta natural de formações rochosas antiguíssimas é um bom passeio para quem gosta de atrações naturais. Não visitamos pelo fato da mesma ter fechado cedo.
Endereço: Route de Philippeville 142, Dinant, Bélgica
Do trem, bem antes de chegar em Dinant, a vista que se tem da margem do rio é linda. Muitas casas de veraneio, palacetes, pequenas embarcações…desejo retornar para fazer este passeio. São diversas opções para quem visita a cidade no verão.
Endereço: Avenue Winston Churchill | Dock 5, Dinant,Bélgica
O Saxofone foi inventado por um belga, nascido em Dinant, chamado Adolphe Sax. O Museu dedicado ao inventor fica em sua antiga residência e pode ser visitado com facilidade.
Novamente, visitamos a cidade de trem. Dos trechos que circulamos, este foi o caminho mais bonito até o momento.
Passagem com weekend ticket: 13,80 por pessoa (ida e volta), saindo de Bruxelas. Dica: atentem bem para os horários de trem direto para Bruxelas, pois precisar trocar é bem arriscado. Quando nos tocamos disso, estávamos no meio da janta e precisamos “apertar o passo” para não perder a última linha direta.
Para comprar passagens, consultar valores e horários, este é o site da Belgian Rail.
— — —
Onde comer em Dinant
Como na cidade não havia nada que estivesse a fim de provar que não fosse possível encontrar em Bruxelas, acabamos não escolhendo antecipadamente onde comer. Vale – para o horário do almoço pelo menos, tentar um dos restaurantes com vista para o rio.
No almoço, apostamos em lanches do restaurante self-service no topo da cidadela (Fritas e hamburguer, por preços bem honestos).
No jantar, escolhemos a Brasserie Din’ En Ville, onde comemos Flammekueche – uma espécie de pizza/torta com cebola, bacon e queijo, cuja receita postarei em breve (pois faz parte da lista de receitas que estou testando!). Gostei bastante, acho que o preço poderia ser um pouco mais honesto (11 euros), mas pelo tanto de comida servida, valeu. Restaurante bem diversificado (mas sem foco…), que servia moules e até feijoada brasileira. Pressa não nos deixou perguntar o porque disso.
— — —
Sobre Dinant
Distante menos de 100 km de Bruxelas e apenas 20km da fronteira com a França, Dinant é uma cidade cheia de história. A região foi inicialmente ocupada pelos romanos, por conta de sua localização estratégica à beira do Rio Meuse, que corta boa parte da Bélgica e tem 950 km de extensão. Durante a Idade Média, a cidade foi um centro próspero na área da metalurgia.
A igreja e a cidadela que formam o conhecido contorno da cidade datam do ano 1040 e já sofreram muitos ataques e reformas, tendo sido reconstruídos várias vezes. O primeiro episódio trágico da cidade data de 1466, quando Carlos, o Tememário destruiu e colocou fogo na cidadela. Depois foi saqueada durante a passagem das tropas do Duque de Nevers, em 1554. Em 1675 a idade foi tomada por Luis XIV, então rei da França, que alterou boa parte da estrutura da cidadela. A cidade também foi severamente destruída durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial.